sobre criatividade e erro

Uma leitora chamada Thammyres escreveu um comentário sobre sentir falta de um estímulo a criatividade na escola e dificuldade na escrita. Abro para vocês a resposta:

Realmente acredito que temos grandes desafios no ensino e pouco olhar para a produção sensível, e concordo com você que, se as artes estivessem mais presentes no ensino, sonhar, criar e aprender seriam também mais presentes nas vidas de estudantes e professores/as.

Quanto à escrita, acredito que a melhor forma de aprender a escrever ou aprimorar a escrita se dê por duas vias: lendo e escrevendo. Em ambas a criatividade é exercitada e em ambas se tem contato com as ferramentas da escrita: palavras, conectivos, formas de organizar ideias, figuras de linguagem, possibilidades… Mas faz toda a diferença encontrar o tipo de leitura que te agrade. Literatura fantástica, contos, poesia, romances, histórias policiais, filosofia, textos acadêmicos de assuntos diversos, histórias em quadrinhos, jornais, relatos de viagem, revistas, etc.

[Falei da escrita, mas o mesmo serve para outras linguagens: a fotografia, o desenho, o vídeo, etc., aprendemos com a prática, o estudo e o contato com produções diferentes. ]

sabe, a criatividade é como um músculo que todos temos, mas que precisa ser exercitado ou poderá atrofiar. Isso quer dizer que ela pode estar assim meio flácida, precisando de exercício, e, como ela se alimenta daquilo que a gente já viu ou experimentou no mundo, precisamos entrar em contato com coisas diversas (possivelmente obras literárias ou visuais, dentre uma infinidade de outras coisas).


Talvez seja bom saber também que a criatividade tem inimigos que vivem dentro de nós. Isso é bom e ruim. Bom porque, como nós os criamos, podemos combatê-los, ruim porque é bem difícil percebê-los, não alimentá-los e ainda combatê-los. Não sei se eles tem nome – é possível- , mas eles chegam em nós normalmente na forma de frases como “eu não consigo”, “nossa, isso está ficando uma porcaria”, “não tenho talento para isso”, “não fui feita pra esse tipo de coisa” e coisas do tipo. Daí o trabalho é olhar para esses pensamentos, mandar beijos e continuar fazendo o que quer que estejamos fazendo. Tudo bem se ficar ruim. Talvez precise ficar ruim muitas vezes antes de ficar bom. Mas é importante seguir praticando.

[preciso transformar isso num mantra: “tudo bem errar, é só seguir praticando”]
lhes desejo muitos sonhos, criação e aprendizado!

Privilégio

amores,

aqui vai um vídeo com um exercício sobre privilégio para entendermos o que é isso e onde estamos em relação a ele.

Como os privilégios afetam nossas vidas?

Existem pessoas com mais oportunidades que outras?

Que pessoas encontram mais facilidades e oportunidades e quais encontram menos? Por quê? como isso começou e por que se mantém?

Que medidas individuais e coletivas podem ser tomadas para diminuir essas diferenças?

Fazer arte

Neil Gaiman, escritor britânico que dentre um vasto repertório de trabalhos escreveu Sandman, Coraline e A Máscara da Ilusão, foi convidado para falar na formatura da Universidade das Artes da Filadélfia, nos EUA. Embora ele fale com graduandos, acredito que sua fala seja inspiradora para qualquer um/a que tenha algum tipo de produção. Confira:

Por que estudar artes? ( e sugestões de animações)

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Garrafas revestidas de tecido – 6º ao 9º ano

Uma vez me perguntaram em sala de aula “por que estudar artes?” – na verdade mais de uma vez, e cada vez chegamos em respostas diferentes, mas aqui vai o relato de uma dessas vezes. Obviamente eu retornei a pergunta para a turma: por que estudar artes? Esta era uma turma de sexto ano e eles responderam com tom de provocação que não podia ser apenas por conta da criatividade, porque não precisarão muito dela na vida. Eu disse que realmente criatividade era apenas uma das coisas que exercitavam e perguntei novamente, ao que me responderam algo como porque alguém decidiu que seria obrigatório. Embora parte da turma me olhasse com aquele de “agora pegamos ela”, outra parte parecia ter uma dúvida real sobre a questão, que, inclusive, considero extremamente pertinente.  Continuamos então a conversa. Primeiro falei um pouco sobre a diversidade de momentos em que usamos a criatividade, seja para resolver um problema difícil, seja para ter melhores resultados em diferentes trabalhos, e depois falei de alguns motivos mais óbvios para o estudo da arte como desenvolver a inteligência espacial e a coordenação motora, experimentar diferentes formas de expressão, etc. Então perguntei sobre as outras matérias, por que estudá-las? Matemática e português tem funções

Releitura dos bonecos Karajá com argila.  6º ano

Releitura dos bonecos Karajá – 6º ano

práticas que todo mundo pontua com facilidade, mas filosofia, geografia, ciências, se você não for trabalhar com isso, por que estudá-las? O que falei foi que todas elas nos ajudam a compreender o mundo de uma forma específica. Eu posso observar o mundo pelas lentes da matemática, da história, da língua, e cada área vai trazer informações, métodos, questões, ferramentas para nos ajudar a compreender o mundo

em que vivemos. As artes (e a cultura visual) também. Por meio delas podemos perceber, conhecer, criticar, experimentar, sentir, produzir uma série de coisas. Podemos entrar em contato com a produção sensível de diferentes lugares e tempos, podemos observar as diferenças entre povos, podemos sentir muita coisa. Podemos ser provocados/as, podemos sair de nossa zona de conforto e compreender melhor o mundo que nos cerca.
Sei que existem inúmeras respostas possíveis para a pergunta que me fizeram, mas esta eu quis compartilhar. E agradeço muito aos meus/minhas alunos/as (que também são meus/minhas mestres/as) que perguntaram isso diversas vezes e que muitas vezes me tiraram também de minha zona de conforto.
Agora, deixo uma animação de histórias do poeta Manuel de Barros e o trailer de uma animação longa metragem chamada O menino e o mundo. Cada animação mostra diferentes olhares sobre o mundo. Aproveite!



Saiba mais sobre esta animação em http://omeninoeomundo.blogspot.com.br/p/blog-page_9.html

E vocês o que acham? Por que estudar artes na escola?

O perigo de uma história única

Amores, este vídeo é de uma fala da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. É uma fala muito especial, que nos explica fatos que esquecemos com frequência e que são extremamente importantes para pensarmos sobre arte: que todas as pessoas, dos mais variados contextos e com as mais diversas características,  são produtoras, e que costumamos ver apenas uma história ao invés das várias histórias existentes. Aproveitem!

O que costumamos imaginar quando se fala de África?

Que outros povos não costumamos ver?

Qual é a história única que normalmente contamos ou ouvimos sobre a história do mundo e sobre a história de nosso país?

Que outras histórias podemos conhecer no mundo e em nosso país?

Museum Selfie

Veja esse trabalho da designer Olivia Muus, que, com um gesto simples muda a nossa percepção sobre uma obra.

Essas imagens foram transformadas num Tumblr em que outras pessoas contribuem com suas imagens de selfies no museu.
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Que tal experimentar fazer sua própria versão?

Que outras mudanças podem ser feitas de forma parecida?

Conheça mais em: http://museumofselfies.tumblr.com/

e http://www.brainstorm9.com.br/52799/arte-2/museum-selfies-transforma-obras-de-arte-em-versoes-modernas-de-autorretratos/

Arte afro-brasileira e o mês da consciência negra

Dia 20 de novembro, dia que marca o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, liderança na resistência negra no período da escravidão, é celebrado o dia da consciência negra no Brasil.

Nossa sociedade possui uma história de exclusão de pessoas com diversas identidades, dentre as quais está a população negra. É sabido que além do processo de diáspora e escravidão, a população vinda do continente africano e seus descendentes passaram por constantes processos de exclusão social e de apagamento histórico, o que é feito, por exemplo, com a falta de referência à artistas, pesquisadores/as e pensadores/as afro-brasileiros/as.

O mês de novembro tem sido, portanto, o mês da consciência negra, para que observemos esses processos e possamos repensar nossas relações.  Pensando nisso, seguem dois vídeos do Museu Afro de São Paulo sobre artistas brasileiros/as negros/as desde o período barroco até o contemporâneo e demais personalidades negras, e um vídeo sobre o cinema negro. Aproveitem:

Visite também os sítios eletrônicos dos Museus Afro de diferentes estados do Brasil:

Maranhão – http://www.museuafro.ufma.br/

Rio de Janeiro – http://museuafrodigitalrio.org/s2/

Mato Grosso – http://200.129.241.116/mafro/

São Paulo – http://www.museuafrobrasil.org.br/

Bahia – http://www.mafro.ceao.ufba.br/